Limpeza sem riscos: especialista explica a maneira correta de utilizar água sanitária

Gustavo Borges, Professor do Curso de Farmácia da Universidade Cruzeiro do Sul, comenta sobre as contraindicações e riscos do uso indiscriminado da substância

01/07/2024

Nos últimos meses, milhares de vídeos de brasileiros fazendo faxina em suas casas têm viralizado com milhões de visualizações no mundo inteiro, principalmente por conta do hábito de jogar água com produtos de limpeza diluídos. Para os curiosos, a maneira de fazer a limpeza chama a atenção, no entanto, para os brasileiros, o foco deveria estar em uma substância muito utilizada no dia a dia: a água sanitária.

A água sanitária, nome popular para a solução de hipoclorito de sódio, é amplamente utilizada para desinfecção e limpeza de ambientes domésticos, atuando como um produto bactericida poderoso. Suas funcionalidades são as mais variadas e já muito conhecidas para aqueles que realizam tarefas domésticas, mas os riscos nem tanto.

“A água sanitária é irritante da mucosa do trato gastrointestinal, isto é, se ingerida através da boca, pode levar a lesões na mucosa oral e adiante. Além disso, a água sanitária pode acabar sendo inalada durante seu uso inadequado, levando a irritação da mucosa do sistema respiratório”, alerta Gustavo Borges, professor mestre do curso de Farmácia da Universidade Cruzeiro do Sul.

De acordo com o último levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), realizado em 2020, o número de casos de infecções por produtos de limpeza havia sofrido um aumento significativo – cerca de 23% – entre janeiro e abril daquele ano em comparação com o mesmo período do ano anterior. Com a pandemia, intensificou-se o uso de álcool e água sanitária, o que, por vezes, pode causar riscos à saúde se usados de forma deliberada. Mesmo após a OMS declarar o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional referente à Covid-19, os casos de acidentes domésticos envolvendo produtos de limpeza ainda são recorrentes.

Em casos de alergia ou sensibilidade, o ideal é suspender o uso da substância. A utilização em superfícies metálicas e tecidos coloridos também não é recomendada, pois pode prejudicá-las. Se usar água sanitária em ambientes de preparação de alimentos, por exemplo, na cozinha, deve-se guardar os alimentos que estão expostos e, após limpeza, recomenda-se deixar o ambiente arejado para que o excesso de água sanitária se disperse.

O docente da Universidade Cruzeiro do Sul também salienta que o uso de água sanitária com outros produtos saneantes domésticos pode levar a reações químicas e, consequentemente, produção de produtos químicos tóxicos para a saúde. Por exemplo, misturar água sanitária com vinagre pode levar a produção do gás cloro, um gás altamente tóxico para a saúde, causando a tosse, irritação das vias aéreas e falta de ar.

De acordo com o especialista, uma das principais chaves para evitar uma contaminação acidental é o manuseio correto da água sanitária: “Recomenda-se o uso de máscara, luvas e avental impermeável a água. Além disso, alguns artigos recomendam até a utilização de óculos para evitar respingos, que podem atingir os olhos”, aconselha.

Borges também sugere que o uso do produto não seja diário, para evitar uma longa exposição, além da diluição correta da água sanitária. “No caso da água sanitária no Brasil, seu teor de cloro ativo varia de 2,0 a 2,5%, a recomendação é uma diluição 2:100 (2 mL de água sanitária para 98 mL de água)”, pontua.